A politização do cristão no Brasil – II


Primeiramente, o cristão precisa saber que se preocupar com a política é de tal importância como se preocupar com o que ele precisa comer ou vestir. Frases como "os políticos são todos corruptos" ou "meu voto não vai mudar em nada" deveriam ser abolidas tanto quanto "minha oração não vale nada" ou "os ateus são todos iguais".

Não posso afirmar que, instantaneamente ao voto consciente, tudo ficará melhor. Isso é uma ilusão, já que, por mais bem intencionado que seja o político cristão, ele sozinho não fará nada se o seus colegas de partido ou os outros representantes não tiverem uma pauta importante. Logo, acredito que seja necessário um ponto mais importante do que apenas um simples voto: a educação.

Este segundo ponto é, sem dúvida, o mais complicado. Muitos cristãos fogem até mesmo da teologia "como o diabo foge da cruz", imagina então a educação básica. O primeiro passo é de que tenhamos em mente que igrejas físicas majestosas e bem cuidadas não nos deixarão mais perto de Deus (obviamente que não podemos congregar em uma espelunca). Entretanto, se a igreja não tiver uma função de escola, ela estará pregando uma espécie de  "evangelho espiritual", que esquece que somos feito de carne ainda. Se tomarmos os dados da quantidade de tempo empregado em atividades que não contribuam para a formação de uma escola dentro da igreja podemos ter uma noção de que poderíamos ter muitas escolas cristãs evangélicas, tanto quanto católicas, que neste aspecto desempenham essa função de forma mais eficaz.

Não deve ser fácil abrir uma escola, ainda com as exigências financeiras inerentes. É um trabalho de anos, mas que um dia deve ser iniciado. O futuro dirá se essa não terá sido a melhor escolha, haja vista que hoje, principalmente no meio protestante e pentecostal, estamos longe de manter os cristãos alinhados intelectualmente não apenas com as necessidades próprias, mas com as que o mundo anseia. Todos precisam de educação, sejam ateus ou teístas, e as decisões de como as escolas públicas devem ser são puramente políticas. Logo, se nada fizermos para que nossos filhos cresçam em sabedoria e verdade, outros cuidarão disso sem qualquer valor moral. Se Cristo disse que "das crianças são o Reino dos Céus" (Mateus 19.13-15), no sentido em que elas aceitam mais facilmente a admoestação, não seria plausível que possamos desempenhar esta função em vez de entregar para o Estado? E se, em alguns anos, o governo entregar a educação para a iniciativa privada?

Sem dúvida, esse cenário não deve passar pelo pensamento do cristão, já que em duas frentes a possibilidade disto acontecer é longínqua; alguns, de forma atrasada, pensam ainda que o Brasil possa virar uma teocracia, de modo que as escolas públicas professem a fé cristã. Ou seja: não é necessário que as escolas públicas deixem de existir, já que no futuro elas poderão ser planificadas pelo ensino cristão. Um ponto de vista errado, ao meu ver, além de improvável. No outro extremo, o fim da escola pública faria com que muitos cristãos protestantes matriculassem seus filhos em colégios católicos, visto que as demais escolas tenderiam a não compartilhar os valores cristãos (ainda que em escolas públicas brasileiras, que deveriam ser laicas politica e religiosamente, tendem a relativizar conceitos morais).

Falo aqui, portanto, aos cristãos pentecostais, que representam, segundo o longínquo Censo de 2000, 10,37% da população (ou seja, possivelmente maior atualmente): quando a educação será a prioridade? A politização é essencial, mas ela só será efetiva quando as suas bases estiverem bem definidas. Tendo isso como meta, possivelmente poderemos esperar melhores resultados.


Mas isso vale a pena?
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Sobre Paulo Matheus

Esposo da Daniele, pai da Sophia, engenheiro, gremista e cristão. Seja bem vindo ao blog, comente e contribua!

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