Beleza x Inteligência

Refletindo insistentemente sobre esses conceitos há algum tempo, venho tentando, com meu próprio raciocínio, formular noções que satisfaçam um pouco daquilo que eu entendo que esses conceitos significam pra mim e tentar associar um com o outro. Portanto, quero fugir um pouco das definições que tentam associar o Belo com "aquilo que agrada a todos" ou que se baseiam na sua utilidade.

Acredito que a Beleza de algo está diretamente relacionado com algum padrão identificável em que dizemos: "Isto existe aqui e em outro lugar, mas não existe ali." Esse padrão identificável é somado à outra qualidade da qual nosso intelecto separa das coisas desorganizadas e imprevisíveis. Na soma destes padrões em relação àquilo que é fora de padrão, julgamos algo como ou sendo Belo ou então feio. Não estou dizendo assim que a Beleza é eterna no sentido que sempre existiu e não há uma forma nova contemplável, mas que nosso intelecto julga (isto é, qualifica) com maior facilidade aquilo do qual está acostumado a perceber, dado a sua simplicidade na qual tal facilidade ocorre.

Me parece que o padrão da Beleza pode ser identificado como uma razão entre a combinação de cores, traços, formas geométricas, etc. Talvez não seja somente estas coisas ou somente uma delas, mas uma combinação simples e capaz de ornamentar um padrão entre um e outro objeto. Por exemplo, um flor é mais bela que uma pedra, pois esta não possui um padrão na qual podemos identificar traços e cores organizadas, mas aquela é formada por um caule, folhas, pétalas, cores, etc. Enquanto a flor parece um fim em si mesma com toda sua composição colorida e sua forma geométrica que respeita o padrão de ser uma flor, parece que a pedra é um produto de um acidente da natureza da qual ela mesma poderia ter sido diferente.

Mas não apenas fatos concretos ou objetos são Belos. Eventos também o são. O conjunto do florescer, do pássaro cantar, do vento soprar, do meteorito atravessar o céu, etc., nos encanta mesmo que não seja um ponto fixo no espaço-tempo como qualquer outro objeto contemplável.

Creio ser possível dizer que a Inteligência é quando conseguimos gerenciar diversas áreas de nossas vidas sem com isso perder a cabeça, como que um dom para organizar eventos e se comportar com simplicidade diante deles, não julgando-se superior aos outros ou utilizando do conhecimento que o intelecto possui para se separar de outras pessoas. Não vejo por inteligente as pessoas que desprezam outras por possuírem um grau menor de conhecimento. Vejo como sendo como um simples possuidor de uma grande quantia de conhecimento, tal como um computador qualquer.

Me parece que o intelecto não foi feito para destinar-se apenas para uma única coisa e fazer dela a única busca real. A Inteligência não é a simples capacidade de gravar informações e poder repetir elas a qualquer momento. Computadores fazem isso. E por não acreditar em inteligência artificial, eu também não creio que a Inteligência deva ser reduzida a um procedimento de decorar infinitas coisas e entender elas.

Poderia ser dito que a Inteligência é a capacidade do intelecto de resolver questões difíceis da vida, ou equações da ciência ou matemática, ou ainda da lógica, etc. Mas eu acredito que a Inteligência é a capacidade do intelecto de ser o mais simples possível diante de tantas coisas complexas e Belas. É viver com uma simplicidade não reducionista que torna perfeitamente inteligível aquilo que está complexo demais para o intelecto saber. Creio que este procedimento intelectual é também uma forma de como o intelecto corresponde para aquilo que é destinado. Ora, se o intelecto é destinado a se inclinar para um conjunto de coisas que ele precisa atender, a Inteligência deste intelecto é elevado se ele consegue atender todo o conjunto de coisas e negligencia pouco ou quase nada do qual é a sua real função.

Nesse sentido, me parece que a Inteligência também é Bela, dado que é um tanto previsível e orquestra um padrão próprio de administrar o melhor possível a combinação de qualidades que o intelecto possui. Esse padrão não é motivo nenhum de tédio por sua previsibilidade e simplicidade, mas uma garantia de contemplação duradoura que provavelmente perdurará tempo suficiente para nossa vontade criar boa expectação do futuro.

Talvez alguém diga que todos objetos são extremamente complexos em sua essência. De fato parece ser o caso. Se analisássemos a estrutura molecular de organismos, o que veremos é uma complexidade irredutível. Mas nem por isso devemos argumentar que eles não são simples no sentido de que há um determinado padrão entre eles.

Ora, até onde posso ver, na Beleza há esse conjunto de padrões que, bem organizados, deixam a coisa Bela. Também na Inteligência há esse padrão de comportamento um tanto previsível. Tal é a razão que pessoas menos dotadas de intelecto parecem ser imprevisíveis e instáveis, como se não soubéssemos se ela vai salvar o mundo ou destruí-lo. Parece que esse tipo de pessoa abençoa num dia e amaldiçoa no outro. Tal é a razão pela qual eu analiso a Beleza de uma pessoa também por sua Inteligência.

Posso estar distante ainda do verdadeiro significado dessas palavras, é claro. Mas eu apenas tive esse insight sobre a possibilidade de conectar estas duas coisas entre si, que penso ser bem justificável essa conexão. Pode ser o caso que no futuro eu altere uma ou outra coisa, seja o caso de eu pensar diferente em algum sentido ou receber algum comentário que me faça adicionar algum ponto relevante a ser observado.

Por: Alisson Henrique de Souza

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Sobre Paulo Matheus

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