Natureza

Um dos pensamentos que me veio à mente após mais um momento de contemplação da Natureza, foi algo próximo do que Pascal e Chesterton argumentaram sobre a relação do homem com a Natureza.

Chesterton pensava ser errôneo o pensamento naturalista de afirmar ser a Natureza a nossa mãe. "Se olharmos bem", diz ele, "a Natureza seria mais bem vista como uma madrasta". Acredito que Chesterton está argumentando sobre uma espécie de indiferença ou irresponsabilidade que a Natureza possui para com o ser humano. Ele continua e escreve: "O ponto principal do cristianismo é este: a Natureza não é nossa mãe, a Natureza é nossa irmã. Podemos orgulhar-nos da sua beleza, desde que temos o mesmo Pai. Mas ela não tem nenhuma autoridade sobre nós." A ausência de autoridade consiste em  reconhecer que é o homem que manipula a Natureza à sua volta, e não o oposto, ainda que às vezes sofra as consequências de péssimas administrações dela. Deveríamos cuidar bem de nossa "irmã menor", que é um presente do mesmo Pai.

De fato a Natureza não tem nada de mãe. Nem por isso ela é menos bela por ser menor do que nós, com toda sua extensa, mas não exaustiva lista de cores, sabores, formas geométricas, sons, força, etc., ou ainda a combinação de diversas qualidades que a Natureza possui. A Natureza de fato é belíssima e talvez meu (ou qualquer outro) vocabulário seja demasiado pobre para descrever a sua beleza, ainda que seja bem possível descrever suas qualidades. Mas não vou fazer aqui descrições de objetos ou tentar argumentar o quão bela a Natureza é. Acredito que não devemos chamar a Natureza de mãe ,pois ela por si só nos atiraria em um mundo sem qualquer instrução ao longo do percurso sobre o que deveríamos fazer aqui.

Blaise Pascal expressa um pensamento também muito interessante sobre o como a Natureza é valorativamente menor do que o ser humano. Ele escreve: "A grandeza do homem é grande por ele conhecer-se miserável; uma árvore não se conhece miserável. É então ser miserável se conhecer miserável, mas é ser grande conhecer que se é miserável." Me parece muito real o fato de que as árvores (pelo menos as que não fazem parte de Nárnia) não escutam ou falam ou mesmo pensam qualquer coisa. Apenas nisto já é possível perceber a grandeza do homem em relação à qualquer objeto da Natureza que, ao que me parece, não possuem algum conhecimento de si ou mesmo do mundo exterior. Mas Pascal escreve mais: "Ainda que o universo o esmagasse, o homem seria mais nobre do que aquilo que o mata, pois ele sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele. O universo de nada sabe."

Há uma teoria de que se tu ficares ofendendo uma planta por muito tempo, ela seca e morre. Bem, vamos desconsiderar este tipo de pensamento por aqui. Aliás, não façam isso com as plantas e menos ainda com qualquer outra pessoa. Palavras podem matar pessoas, de fato.

Bem, não é errado se sentir maior em valor do que a Natureza, isso é ser realista. Mas é também necessário reconhecer que poderíamos imediatamente morrer sob qualquer estalo em nosso cérebro causado por algum evento na Natureza. Só posso escrever isto tudo porque minha disposição de sentidos (a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato) está direcionada a levar a informação até o cérebro, que apreende quase tudo o que recebe e transforma em conhecimento. De fato não depende apenas da existência de objetos na Natureza ou de seres capazes de conhecê-la mas, como sugere Platão em sua "Alegoria do Sol", ainda precisamos da Luz (que também pode ser chamado "razão") para conhecer os objetos na Natureza.

Nossa "irmã menor" ainda seria tão bela ou com sua devida grandeza se não houvesse seres capazes de a contemplar?

Concluo que somos sim valorativamente maiores do que a Natureza e toda a sua infinita beleza e que devemos sim contemplar tudo o que está disponível para nós. Mas também que ser um conhecedor de si próprio e do mundo externo é ainda mais belo. A Natureza pouco conhece a si mesma. Se temos o mesmo Pai, ele certamente se preocupou muito mais com a grandeza do ser humano do que com a Natureza.

Por: Alisson Henrique de Souza

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Sobre Paulo Matheus

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