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Nota introdutória aos fragmentos de Pápias

Pápias de Hierápolis (70-155 d.C.). Parece injusto para o homem santo, de cujas contribuições relativamente grandes à literatura cristã primitiva, tais meras relíquias foram preservadas, apresentá-las nessas versões, desacompanhadas das copiosas anotações do Dr. Routh. Se mesmo essas migalhas de sua mesa não são de forma alguma sem valor prático, com referência ao Cânon e outros assuntos, podemos muito bem creditar o testemunho (embora contestado) de Eusébio, de que ele era um homem erudito e bem versado na Sagrada Escritura [1]. Todos os que chamam o pobre Pápias com certeza o farão com a qualificação apologética daquele historiador, de que ele tinha pouca capacidade. Quem lhe atribui as fantasias milenares, das quais ele foi apenas um narrador, como se fossem essas as características e não as manchas de suas obras, pode deixar de aceitar essa avaliação de nosso autor. Mas mais pode ser dito quando chegarmos ao grande nome de Irineu, que parece tornar-se responsável por eles [2]. Pápias tem o crédito da associação com Policarpo, da amizade do próprio São João e de “outros que viram o Senhor”. Diz-se que ele foi bispo de Hierápolis, na Frígia, e morreu quase na mesma época em que Policarpo sofreu o martírio; mas mesmo isso é questionado. Tão pouco sabemos de alguém cujos livros perdidos poderiam ser recuperados, poderia reverter o julgamento recebido e estabelecer sua reivindicação ao tributo disputado que o torna, como Apolo, “um homem eloquente e poderoso nas Escrituras”.


A seguir está o Aviso Introdutório original:

As principais informações a respeito de Pápias são fornecidas nos extratos feitos entre os fragmentos das obras de Ireneu e Eusébio. Ele foi bispo da Igreja em Hierápolis, uma cidade da Frígia, na primeira metade do segundo século. Escritores posteriores afirmam que ele sofreu o martírio por volta de 163 d.C.; alguns dizendo que Roma, outros que Pérgamo, foi o cenário de sua morte. Ele era um ouvinte do apóstolo João e mantinha relações íntimas com muitos que haviam conhecido o Senhor e Seus apóstolos. Destes ele reuniu as tradições flutuantes em relação às palavras de nosso Senhor, e as teceu em uma produção dividida em cinco livros. Esta obra não parece ter se limitado a uma exposição das palavras de Cristo, mas conter muitas informações históricas. Eusébio [3] fala de Pápias como o homem mais erudito em todas as coisas e bem familiarizado com as Escrituras. Em outra passagem [4], ele o descreve como de pequena capacidade. Os fragmentos de Pápias são traduzidos do texto fornecido em Routh’s Reliquiæ Sacræ, vol. I [5].

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Pápias de Hierápolis

Pais Ante-Nicenos I - Os Pais Apostólicos


Notas:

[1] Ver Lardner, II. p. 119.

[2] Contra as Heresias, livro V. Cap. XXXIII. Veja a nota prudente de Canon Robertson (History of the Christ. Church, vol. I. p. 116).

[3] Hist. Eccl., III. 39

[4] Ibid.

[5] Onde os fragmentos com anotações e elucidações eruditas preenchem quarenta e quatro páginas. 


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Sobre Paulo Matheus

Esposo da Daniele, pai da Sophia, engenheiro, gremista e cristão. Seja bem vindo ao blog, comente e contribua!

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