Suzano e Christchurch, homens e armas


É difícil se manter sem qualquer reflexão diante o que aconteceu nesse mês de março de 2019. Tá certo que ele ainda não acabou. Entretanto, dois eventos que ocorreram esta semana: um ataque ocorrido em uma escola em Suzano, em São Paulo, no dia 13, e outro, no dia 15, ocorrido em Christchurch, na Nova Zelândia. No primeiro, dois jovens entraram em uma escola e mataram 8 pessoas, logo em seguida ambos suicidando-se. No segundo, dois homens abriram fogo contra duas mesquitas, matando um total aproximado de 49 pessoas. Os dois ataques foram premeditados. E, sem dúvida, ambos os participantes tinham problemas psicológicos. Só que, mais uma vez, o debate se colocou em torno das armas.

No primeiro ataque, em Suzano, os dois jovens não entraram na escola apenas com uma arma de fogo - que, diga-se de passagem, não era legal - mas com outros apetrechos, como uma besta, um arco e, o que foi evidentemente mais utilizado pela imagens, um machado. As armas são proibidas no Brasil. Mas a vontade de se fazer um atentado dependerá apenas do perfil psicológico de cada pessoa. Nosso país não consegue se livrar de um problema básico - a violência, por si só -, tão pouco conseguirá contornar tragédias como esta regulando armas, tal como ocorre em outros países. Outras tragédias já ocorreram aqui, e não foram proibições que tornaram elas menos dramáticas.

O exemplo de Christchurch não está nem um pouco relacionado com a facilidade local em se conseguir uma arma. Antes do ato final, o de puxar o gatilho, o ódio e o nosso lado sombrio fala mais alto. Esse lado, que só pode vir de nossa natureza pecaminosa é o que causa o mal de fato. Não há qualquer sentimento religioso nestes dois ataques à mesquitas na Nova Zelândia, na cidade que literalmente significa "Igreja de Cristo". Em um país com baixíssima taxa de violência e mesmo no nosso caso, o que fica implícito nestas atitudes é o ateísmo.

Nos dois casos, existem os demônios de Dostoiévski. Aliás, há uma onda grande de Niilismo percorrendo o mundo. As pessoas estão sedentas por suas ideias, sem ao menos saber se logicamente elas são válidas. Para que elas se tornem verdades, não medem escrúpulos, se isolam, pensam em futilidades, não respeitam autoridades, nem propriedades e nem ordens. Ora, estes fatos são puramente psicológicos, nada possuem relação com armas! Se não concordam, convido a analisar a figura a seguir:

Este gráfico representa a taxa mundial de suicídio, em 2015. Os especialistas desta fonte interpretaram como sendo maiores as taxas em países mais pobres (no gráfico, as áreas mais escuras correspondem às maiores taxas de suicídio). O suicídio, na maioria dos casos, são causados por problemas psicológicos das mais variadas origens, desde problemas com drogas, financeiros, esquizofrenia, etc. O Brasil, por exemplo, apresenta menores taxas de sucidio do que a França, Estados Unidos, Austrália, Japão, Suécia, Irlanda, entre outros. Não seria, neste caso, um problema do acesso facilitado de armas ou então de um IDH maior ou menor, mas sim do perfil psicológico. A maior parte dos suicídios é realizado por homens, que possuem maior sucesso por o fazerem com armas. As taxas são maiores, pasmem, do que o de homicídios e acidentes de trânsito em países desenvolvidos. O que dizer então?

A mídia, propositalmente, promove um debate para esquivar-se do real problema: a falta de amor, que só será possível com a presença de Deus. Os naturalistas parecem ter vencido na Academia, já que o principal argumento contra Deus é que, se ele mesmo existir, ele é o criador deste mal que vemos. Como se livrar disso?

Deus não pode ser responsabilizado pelo ato de homens. Apesar de muitos cristãos atacarem a personalidade das pessoas, como se fossem apenas "instrumentos nas mãos do acaso", quem realmente arquitetou a maldade foi o homem. Não foi Deus, nem as armas. Como bem lembrou meu amigo, Éder Duarte, estas coisas não são as mais absurdas pois não há nada de novo sob o sol, como está escrito em Eclesiastes. Houveram coisas que aos nossos olhos atuais seriam mais cruéis, e infelizmente elas irão e retornarão diante de nossa consciência. O que precisamos sempre lembrar é que as palavras do Senhor, dono do verdadeiro amor, permanecem para sempre.

Que Deus conforte os familiares destas vítimas.

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Sobre Paulo Matheus

Esposo da Daniele, pai da Sophia, engenheiro, gremista e cristão. Seja bem vindo ao blog, comente e contribua!

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