Covid e a peste que já existia

Demorei bastante para escrever algo sobre esta pandemia de Covid-19. Faço isso agora, quando no Brasil são contabilizados mais de cem mil mortes em sua decorrência. Infelizmente, o ambiente político polarizado de nosso país se infiltrou nesta pandemia global e afetou muito as decisões por aqui. Olhamos atentamente aos exemplos mundiais, uns adotando um isolamento total, o chamado lockdown, e outros um isolamento parcial, com apenas as pessoas com possíveis riscos. Os resultados foram diversos e bastante inconclusivos (a OMS que o diga). 

Precisamente nesta semana, diversos grupos políticos e a mídia tem feito algo pelo qual um tempo antes era considerado uma atitude pueril pelos próprios: concentrar a responsabilidade em apenas um. O presidente - eleito como salvador da pátria - tem se mostrado displicente e não poderia ser um erro responsabilizá-lo por sua omissão evidente. Entretanto, a culpa pode ser medida desde o STF, que está comandando o país neste momento, até aquele menor cidadão que promove falsas informações para qualquer lado que seja. A corrupção só aumentou, os líderes sem sentiram ditadores, a mídia finalmente se posicionou abertamente (inclusive os setores de novelas, desativados, migraram para os setores jornalísticos), pessoas comuns não sabem para onde caminhar, e SE podem caminhar.

Até agora, sabemos oficialmente que o Brasil registrou menos mortes nos cartórios que no ano de 2019, neste primeiro semestre. Há 30% menos mortes por pneumonia que ano passado. Por que? Eu não sei. Pode ser que pessoas tenha se prevenido melhor de qualquer doença respiratória, ou, como alguns dizem, alguns morreram de pneumonia, potencializado pelo Covid. Eu não sei. Pode haver subnotificação de tudo hoje, dado a bagunça e a desconfiança que se gerou, muito pela imprensa contraditória e também pelas autoridades ditas competentes (há todo uma questão sobre a OMS e a China, sim, aquele país ditatorial que persegue cristãos e qualquer outra religião que não seja a adoração do Estado). Bem, mas, existe alguma conspiração que pretende controlar todos baseado na obediência populacional em regras para conter a pandemia, como usar máscaras e deixar de ir a igreja? Eu não sei. 

O pouco que sei é que há exemplos para todos os tipos de ponto de vistas atualmente. Mas me amparo em um bem comum: já houve de tudo de pior para quem é cristão. Não temos detalhes de todos os que morreram de forma cruel nas arenas nos primeiros séculos, em perseguições durante a idade média, por diferenças teológicas depois da Reforma, pelos iluministas, pelos socialistas, ditadores e por todo o tipo de rejeição. Aliás, já houve tudo de pior para quem quer que fosse. Genocidas limparam etnias de todos os lados, guerras vieram e massacraram todos os povos, e, para ficar mais próximo de nós, pragas dizimaram muitos. Um surto de peste bubônica matou no Reino Unido do século XVII os mesmos cem mil que perderam a vida aqui, até agora. 

Tudo isso não serve para se traduzir ou reduzir o que ocorre em números, pois cada vida importa. Que não é apenas números, até a Globo, que flertou com a ditadura, não omite. Obviamente, a reflexão que se tem diante desta tragédia é puramente simplista e passa por sua (anterior) crise financeira. Isso vale para outros também, só que de forma invertida. O menor comerciante, aquele que não depende do governo e sobrevive com seu empenho, viu o governo quebrar suas pernas em troca das muletas, que serão dadas por tempo indeterminado.

Há uma onda velada de prazer de todos os lados. Alguns eugenistas se alegram em saber das mortes, baseado em que boa parte delas ocorrem em pessoas com alguma deficiência anterior (a maioria de problemas cardíacos e diabetes). Outros, de forma sádica, se alegram por ouvir que a estratégia adotada por tal governo está indo de mal a pior, numa torcida nefasta para que o país ocupe o pior de todos os cenários (nesta data, o Brasil estava com 478 mortes por milhão de pessoas, uma taxa que o coloca quase entre os dez países mais afetados pela Covid). Outros ainda fingem que não há Covid, mas este grupo é amplo, pois alguns sempre tomaram vacinas e duvidam do alarmismo (que existe de fato), outros nunca tomaram vacinas e continuam suas vidas normalmente (alguns, evidentemente, já se foram). Também há os que acreditam tanto no virus que o prestam um culto público, negando o alto índice de curas e de que haverá num futuro próximo um tratamento adequado, dentre estes podendo ser tanto céticos que acreditam que neste mês morreram milhões e religiosos que dizem ser este o fim do mundo.

Como devemos nos portar? 

Em primeiro lugar, o que eu penso é que devemos nos importar, de forma sensata, de que cem mil pessoas morreram. Sim, mesmo que tenha sido menor que o registro do ano passado, a forma como isto ocorreu merece respeito, orações e ponderações. Não deve haver espaço para desespero, e digo isso como um cristão que trabalha em laboratório: Deus está cuidando de tudo. Deus sempre cuidou. Se temos capacidade de reconhecer isto no passado, já que uma peste dizimou pelo menos um terço da Europa, e outra peste, um quarto de Londres em 1666 (um ano sugestivo) e estamos aqui para contar, sem dúvida saberemos confiar na divina providencia (Jó 10:12). 

Em segundo lugar, se devemos confiar em Deus, obviamente, devemos desconfiar do homem (Jeremias 17:5). Em alguns casos, dizer "eu não sei" simboliza nossa incapacidade não de forma depreciativa, mas reflexiva. Não tome como premissa pessoas que pareçam muito confiantes de sua opinião. Pense nas afirmações: "Morrerá um milhão até agosto", " uma ilha no meio oceano fez um ótimo trabalho contra o vírus", "o vírus é apenas uma gripezinha", "a culpa não é minha", "a culpa é só dele". Nenhuma delas resolveu ou resolverá o problema, e só servem para nos fazer ter certeza de que ninguém tem certeza de nada. Uma das palavras mais usada pelos engenheiros é "depende". Se eu disser que o vírus acabará em novembro, dependerá de diversos fatores, e a maioria foge da minha alçada. Entretanto, tudo que depende de mim deve ser feito para minimizar a omissão de outros. Se der pra ficar em casa, se for possível tomar os cuidados, não se abaixar diante de tiranos mas também não subestimar a própria fé.

Além disso, eu diria que este tempo é um tempo para o estudo. Nem todos podem estudar. O que percebo, porém, é que muitos estão gastando tempo mais falando do que lendo, na maioria das vezes baseado em informações de terceiros. Isso vale para qualquer lado. E me incluo também nisso. Logo, tomo para mim que, se um revoltado socialista mandar eu estudar, bem, é isso que vou fazer. É um elogio, acreditem. Não há nada melhor do que estudar e ser incentivado a isso. Graças a Deus, ainda temos liberdade de estudar o que quisermos, seja sobre as pestes surgidas pelo desconhecimento humano prévio, tal como o Covid, ou pelo próprio homem, assumindo o poder e tentando cuidar do bem comum.

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Sobre Paulo Matheus

Esposo da Daniele, pai da Sophia, engenheiro, gremista e cristão. Seja bem vindo ao blog, comente e contribua!

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