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Por que devemos amar a Deus e a medida desse amor

Você quer que eu lhe diga por que Deus deve ser amado e quanto. Eu respondo, a razão para amar a Deus é o próprio Deus; e a medida do amor devido a Ele é o amor incomensurável. Isso está claro? Sem dúvida, para um homem atencioso; mas eu também sou devedor do insensato. Uma palavra para o sábio é suficiente; mas devo considerar gente simples também. Portanto, proponho-me com alegria a explicar mais detalhadamente o que quero dizer acima.

Devemos amar a Deus por si mesmo, por uma razão dupla; nada é mais razoável, nada mais lucrativo. Quando alguém pergunta: Por que devo amar a Deus? ele pode querer dizer: O que há de amável em Deus? ou, O que ganharei por amar a Deus? Em ambos os casos, existe a mesma causa suficiente de amor, a saber, o próprio Deus.

E primeiro, de Seu título ao nosso amor. Poderia algum título ser maior do que este, que Ele se deu por nós, desgraçados indignos? E sendo Deus, que melhor presente Ele poderia oferecer do que Ele mesmo? Portanto, se alguém busca a reivindicação de Deus sobre nosso amor, aqui está o principal: Porque Ele nos amou primeiro (1 João 4. 19).

Ele não deve ser amado em troca, quando pensamos quem amou, quem Ele amou e quanto Ele amou? Pois quem é aquele que ama? O mesmo de quem todo espírito testifica: "Tu és o meu Deus: os meus bens nada são para Ti" (Salmo 16. 2, Vulg.). E não é o Seu amor aquela maravilhosa caridade que ‘não busca os seus’? (1 Coríntios 13. 5). Mas para quem esse amor inexprimível foi manifestado? O apóstolo nos diz: "Quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho" (Romanos 5. 10). Portanto, foi Deus quem nos amou, nos amou livremente e nos amou enquanto ainda éramos inimigos. E quão grande era esse amor d'Ele? São João responde: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3. 16). São Paulo acrescenta: "Ele não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós" (Romanos 8. 32); e o Filho diz de si mesmo: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos" (João 15. 13).

Esta é a reivindicação que Deus, o santo, o supremo, o onipotente, tem sobre os homens, contaminados, vis e fracos. Alguém pode argumentar que isso é verdade para a humanidade, mas não para os anjos. É verdade, já que para os anjos não era necessário. Aquele que socorreu os homens em seu tempo de necessidade, preservou os anjos de tal necessidade; e mesmo como Seu amor pelos homens pecadores operou maravilhosamente neles para que não permanecessem pecadores, o mesmo amor que Ele derramou em igual medida sobre os anjos os manteve completamente livres do pecado. 

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Bernardo de Claraval

Sobre o amor de Deus (~1128)


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Sobre Paulo Matheus

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